Auditoria realizada pela Justiça Eleitoral simula uma votação e compara as escolhas feitas em cédulas físicas com os dados registrados pela urna eletrônica; procedimento é público, acompanhado por entidades fiscalizadoras e realizado desde 2002

O Teste de Integridade é uma das principais ferramentas utilizadas pela Justiça Eleitoral para verificar o funcionamento das urnas eletrônicas e a correspondência entre os votos registrados e o resultado apresentado pelo equipamento. Durante a auditoria, votos previamente preenchidos em cédulas de papel são digitados em urnas selecionadas para o procedimento e, ao final da votação simulada, os números são comparados com o resultado emitido pela própria máquina. A checagem é pública e conta com acompanhamento de partidos políticos, órgãos de controle e outras entidades fiscalizadoras.

O procedimento é realizado desde 2002 e integra o conjunto de mecanismos de auditoria e transparência adotados pela Justiça Eleitoral. As regras estão previstas nas Resoluções nº 23.673/2021 e nº 23.758/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Urnas são escolhidas antes da eleição

A auditoria começa antes mesmo do dia da votação. Na véspera do pleito, ocorre uma cerimônia pública para a seleção das urnas que serão submetidas ao teste. Participam do processo representantes da Justiça Eleitoral, fiscais de partidos e outras instituições habilitadas a acompanhar a fiscalização.

As urnas escolhidas já estão preparadas para a eleição, com os dados necessários ao funcionamento da seção eleitoral e devidamente lacradas. Depois da seleção, os equipamentos são retirados dos locais originalmente destinados à votação e encaminhados, sob escolta, aos espaços definidos pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).

Os ambientes onde a auditoria é realizada são abertos à fiscalização e contam com câmeras para registrar as etapas do procedimento.

Enquanto as urnas são encaminhadas para o teste, voluntários e representantes de partidos, federações e coligações preparam as cédulas que serão utilizadas na simulação. Os votos são preenchidos em papel com candidatos reais que participam da disputa eleitoral.

As cédulas ficam armazenadas em urnas de lona lacradas até o início da auditoria.

Votação simulada acontece no mesmo horário da eleição

No dia da eleição, a simulação ocorre paralelamente à votação oficial. Entre 8h e 17h, as cédulas são retiradas uma a uma das urnas de lona. O conteúdo de cada voto é anunciado diante das câmeras e, em seguida, digitado na urna eletrônica selecionada para o teste.

A operação é registrada em áudio e vídeo e acompanhada por representantes das entidades fiscalizadoras. O objetivo é criar uma situação controlada na qual seja possível confrontar duas formas independentes de contabilização: a soma dos votos existentes no papel e o resultado produzido eletronicamente.

Às 17h, com o encerramento da votação simulada, a urna eletrônica imprime o Boletim de Urna (BU). A partir desse documento, os responsáveis pelo teste verificam se a quantidade de votos atribuída a cada candidato e legenda corresponde exatamente ao que foi registrado nas cédulas físicas.

É justamente essa comparação que permite identificar eventual divergência entre os votos previamente conhecidos e o resultado apresentado pelo equipamento.

Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, o procedimento vem sendo aplicado há mais de duas décadas nos dois turnos das eleições e, segundo os registros citados pelo tribunal, não apresentou resultado diferente entre os votos inseridos e os dados contabilizados pela urna.

O que acontece com a urna retirada da seção?

A retirada de uma urna para o Teste de Integridade não interfere na votação dos eleitores. Quando o equipamento de uma seção é selecionado, ele é substituído por uma urna de contingência.

Dessa forma, a seção eleitoral continua funcionando normalmente, enquanto o equipamento originalmente preparado para aquele local é submetido à auditoria.

Os votos utilizados durante o teste também não fazem parte da apuração oficial. Trata-se exclusivamente de uma simulação criada para verificar o comportamento da urna e a correspondência entre os dados inseridos e o resultado apresentado.

Teste também pode utilizar biometria

Além do procedimento tradicional, a Justiça Eleitoral realiza uma modalidade que utiliza a biometria de eleitoras e eleitores voluntários. O formato foi introduzido nas Eleições 2022 e também foi empregado nas Eleições 2024.

Nesse modelo, pessoas que já votaram oficialmente podem participar da auditoria. Após a votação regular, voluntários são convidados a utilizar suas impressões digitais no procedimento de teste.

A realização da auditoria com biometria depende das condições técnicas, logísticas e orçamentárias da Justiça Eleitoral e costuma ser adotada nas capitais brasileiras.

Os locais destinados a essa modalidade são definidos pelas Comissões de Auditoria com antecedência. A regulamentação estabelece que a quantidade de urnas submetidas ao Teste de Integridade com Biometria deve corresponder a pelo menos 5% e, no máximo, a 10% do total de equipamentos destinados ao teste tradicional.

Fiscalização é aberta ao público

Os espaços onde a auditoria ocorre podem ser acompanhados por qualquer pessoa interessada. Há, porém, regras específicas de acesso às áreas onde ficam instalados os equipamentos e computadores utilizados na checagem.

Nesses locais, a circulação é restrita aos integrantes das Comissões de Auditoria, auxiliares autorizados e pessoas previamente credenciadas para acompanhar o procedimento.

A presença de diferentes atores durante a auditoria faz parte da proposta de ampliar a transparência e permitir o acompanhamento externo de todas as etapas.

Resultados da auditoria são publicados

Após a realização do segundo turno, a Justiça Eleitoral também divulga os documentos relacionados à auditoria.

Os TREs produzem relatórios individuais sobre os testes realizados em cada estado. Posteriormente, é elaborado um relatório consolidado com as conclusões da fiscalização.

De acordo com as regras estabelecidas pelo TSE, esses documentos devem ser disponibilizados no portal da Justiça Eleitoral em até 30 dias após a realização do segundo turno.

Na prática, o Teste de Integridade funciona como uma verificação independente do resultado produzido pela urna: a Justiça Eleitoral conhece previamente os votos utilizados na simulação e, ao final, confere se a soma das cédulas físicas coincide com os números apresentados pelo sistema eletrônico. O procedimento permite, assim, verificar publicamente se o equipamento registrou e contabilizou corretamente os votos inseridos durante a auditoria.

Fonte/foto. TSE

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