Uma operação da Polícia Civil do Amazonas apreendeu cerca de 2,5 toneladas de maconha tipo skunk em Manaus e resultou na prisão de um homem apontado como peça central de uma investigação sobre tráfico interestadual e lavagem de dinheiro.
A ação foi conduzida pelo Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc) na noite de quinta-feira (3), com divulgação nesta sexta-feira (4). Segundo a polícia, a carga representa um prejuízo estimado em R$ 50 milhões ao crime organizado.
O principal alvo preso foi Rodrigo César Campelo Soares. De acordo com a PC-AM, ele é investigado por comandar uma associação criminosa voltada ao transporte de drogas para outros estados e à ocultação de recursos provenientes da atividade ilegal.
Caminhões foram monitorados no Aleixo
As investigações começaram em 2024 e, segundo o Denarc, avançaram a partir do cruzamento de informações financeiras, apreensões anteriores e identificação de veículos usados pelo grupo.
Durante a operação, três caminhões ligados à investigação foram localizados no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus.
Um dos veículos estava estacionado em frente a um instituto social administrado pela companheira do suspeito.
Após os policiais encontrarem drogas no primeiro caminhão, outros veículos também foram vistoriados. A quantidade apreendida chegou a aproximadamente 2,5 toneladas de skunk.
Um terceiro caminhão ainda deverá passar por perícia para confirmar a natureza de parte da carga encontrada.
Material eleitoral será analisado pela Polícia Federal
Durante as buscas no instituto, os policiais também localizaram caixas utilizadas, segundo a investigação, para embalar entorpecentes e materiais de campanha de uma chapa que participa das eleições estaduais de 2026.
Por se tratar de conteúdo eleitoral, os itens serão encaminhados à Polícia Federal, que deverá verificar se existe algum indício de crime eleitoral.
A presença do material no local não comprova, por si só, participação de candidatos ou campanhas nas atividades investigadas.
Droga teria vindo da Colômbia
A Polícia Civil afirma que a droga teria saído da Colômbia, seguido pelos rios Caquetá e Japurá e chegado ao Amazonas com destino final ao Rio de Janeiro.
Segundo os investigadores, o carregamento já estava preparado para distribuição quando foi interceptado.
A polícia também sustenta que instituições sem fins lucrativos eram utilizadas para tentar ocultar atividades do grupo.
Investigação cita apreensões anteriores
O caso teria começado após a apreensão de cerca de uma tonelada de drogas e fuzis em um galpão, há aproximadamente dois anos.
Em outro episódio, registrado em 2025, um homem foi preso transportando cerca de 600 quilos de drogas escondidas em fritadeiras elétricas.
Segundo a PC-AM, a perícia no celular desse suspeito indicou ligação do carregamento com Rodrigo.
A operação desta semana também resultou no bloqueio judicial de cerca de R$ 1 milhão em contas bancárias e na apreensão de mais de oito aparelhos celulares.
Quase 5 toneladas em menos de uma semana
Esta é a segunda grande apreensão de drogas registrada no Amazonas em poucos dias.
Na segunda-feira (31), a Polícia Militar apreendeu aproximadamente 2,4 toneladas de skunk e prendeu dois homens.
Somadas, as duas ocorrências chegam a quase 5 toneladas de entorpecentes retirados de circulação em menos de uma semana.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos, movimentações financeiras e rotas utilizadas pelo grupo.

