Afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal é determinado por André Mendonça.Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Ministro do STF também determinou o afastamento preventivo do diretor de Inteligência da corporação e afirma ter sido alvo de monitoramento por mais de 30 dias.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

Relator do caso Banco Master no Supremo, Mendonça atendeu a um pedido apresentado pelo partido Novo e justificou a medida afirmando haver indícios de uma situação de elevada gravidade envolvendo relatórios de inteligência produzidos pela PF.

O ministro sustenta que teria sido submetido a monitoramento sistemático por mais de 30 dias.

Mendonça questiona relatório divulgado por Moraes

A decisão ocorre depois de o ministro Alexandre de Moraes tornar público um relatório que sugere possível direcionamento de investigações contra pessoas consideradas desafetas políticas de Mendonça.

Mendonça questionou a confiabilidade do documento, afirmando que ele não possui assinatura, timbre ou outros elementos capazes de comprovar de forma segura sua autoria e data de elaboração.

Segundo o ministro, o próprio material reconhece que as informações reunidas seriam inferências sem valor probatório suficiente para justificar medidas formais.

Ministro cita seis relatórios produzidos em agosto

Na decisão, Mendonça menciona um ofício assinado por Andrei Rodrigues que indicaria a produção de pelo menos seis relatórios envolvendo o ministro.

Esses documentos teriam chegado à direção-geral da Polícia Federal entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026.

Para Mendonça, o episódio configuraria monitoramento indevido de um integrante da Suprema Corte.

O ministro também afirma que um dos documentos teria recomendado a continuidade da coleta de informações, apesar de reconhecer limitações probatórias.

Diretor de Inteligência também é afastado

Além de Andrei Rodrigues, o ministro determinou o afastamento preventivo de Leandro Almada, responsável pela área de Inteligência da Polícia Federal.

Mendonça argumentou que a medida seria necessária para preservar a regularidade das apurações e evitar novas violações de prerrogativas institucionais.

Até a publicação da reportagem original, a Polícia Federal ainda não havia divulgado posicionamento oficial sobre a decisão.

Caso amplia crise envolvendo STF e Banco Master

O afastamento ocorre em meio à disputa entre Mendonça e Moraes sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master.

Moraes já encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, acusações de possíveis irregularidades atribuídas a Mendonça.

Antes disso, Mendonça havia divulgado outro relatório da Operação Compliance Zero contendo mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nas quais aparecem referências a Moraes.

O ministro Alexandre de Moraes nega ter mantido determinadas conversas atribuídas a ele.

Fachin acompanha crise institucional

Edson Fachin já abriu procedimentos para colher manifestações das autoridades envolvidas e decidir os próximos passos dentro do Supremo.

As acusações feitas de parte a parte ainda não representam conclusões definitivas sobre responsabilidade de qualquer um dos citados.

A decisão de Mendonça, porém, amplia o impacto da crise ao atingir diretamente a cúpula da Polícia Federal.

Com informações de Agência Brasil


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