Julgamento de Moraes e Vorcaro está em andamento no Supremo Tribunal Federal.Divulgação STF

Sessão extraordinária começou nesta terça-feira (15) e analisa relatório da Polícia Federal, questionamentos da PGR e a defesa apresentada por Alexandre de Moraes.

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (15) a sessão extraordinária que analisa se há elementos para a abertura de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O julgamento, previsto originalmente para começar às 10h, já está em andamento e tem transmissão ao vivo pela TV Justiça, Rádio Justiça e pelo canal oficial do Supremo na internet.

No centro da discussão está um relatório produzido pela Polícia Federal a partir de informações encontradas no celular de Vorcaro. O plenário deverá decidir, entre outros pontos, se o procedimento que levou ao aprofundamento da análise foi válido e se os elementos obtidos poderão sustentar uma investigação específica sobre Moraes.

A análise das informações não significa que o ministro tenha cometido crime. O STF discute justamente se existem elementos jurídicos e factuais suficientes para autorizar uma apuração formal.

Fachin conduz sessão e será o primeiro a votar

O presidente do Supremo, Edson Fachin, assumiu a relatoria da petição e conduz o julgamento.

Pelo rito divulgado antes da sessão, Fachin é responsável por apresentar o relatório, delimitar as questões submetidas ao plenário e abrir a votação após a manifestação da Procuradoria-Geral da República. Ele também será o primeiro ministro a apresentar voto.

O julgamento pode ainda ser afetado por questões de ordem ou por eventual pedido de vista, que poderia suspender a conclusão da análise.

Relatório da PF aponta mensagens ligadas a Vorcaro

A controvérsia começou durante as investigações relacionadas ao Banco Master.

A Polícia Federal encontrou registros associados a um número salvo no telefone de Vorcaro como sendo de Alexandre de Moraes. O relatório reúne dezenas de registros produzidos entre 2023 e 2025 e passou a ser analisado pelos ministros antes da sessão desta terça.

Vorcaro foi preso em novembro de 2025 no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Alexandre de Moraes não era relator do caso Master no Supremo.

Moraes apresenta defesa e contesta interpretação da PF

Horas antes do julgamento, Moraes apresentou uma manifestação ao STF contestando as conclusões do relatório.

O ministro afirmou que jamais atuou em processos para favorecer Daniel Vorcaro ou o Banco Master. Também contestou informações relacionadas aos contratos firmados pelo escritório de advocacia de sua família com empresas ligadas ao ex-banqueiro.

Em outro ponto da defesa, Moraes sustentou que parte do material interpretado pela Polícia Federal como mensagens teria origem no aplicativo de notas do iPhone de Vorcaro, e não necessariamente em conversas efetivamente enviadas por WhatsApp.

Segundo a manifestação do ministro, 47 de 52 anotações citadas não apareceriam em diálogos identificados no aparelho. Essa é a versão apresentada pela defesa de Moraes e deverá ser confrontada com o relatório da PF e com os demais elementos analisados pelo plenário.

PGR quer anulação de parte da apuração

Outro ponto central do julgamento é a posição da Procuradoria-Geral da República.

O procurador-geral Paulo Gonet questionou o aprofundamento da análise promovido quando André Mendonça ainda conduzia o caso.

Na avaliação da PGR, uma investigação específica envolvendo um ministro do Supremo não poderia avançar sem autorização prévia do plenário.

Por isso, além de avaliar o conteúdo das informações, os ministros terão de decidir se o procedimento utilizado para produzi-las respeitou as regras aplicáveis ao caso.

Dados integrais do celular foram enviados a ministros

A discussão sobre o acesso aos dados do celular de Vorcaro também gerou tensão nos dias que antecederam o julgamento.

A Polícia Federal informou que mantém sob sua guarda o aparelho e o material original extraído dele, com mecanismos de verificação de integridade preservados. A corporação afirmou ainda ter condições de fornecer cópias idênticas aos integrantes do Supremo.

Ministros como Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Alexandre de Moraes solicitaram acesso ao material integral.

Decisão pode definir futuro da investigação

O julgamento em andamento deverá definir se os elementos relacionados a Moraes poderão continuar sendo investigados, se parte do relatório da Polícia Federal será invalidada ou se o caso deverá ter outro encaminhamento.

Por se tratar de uma sessão em andamento, o resultado e os votos dos ministros ainda podem modificar substancialmente o quadro ao longo desta terça-feira.

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