Especialistas apontam que o crescimento das candidaturas não significa igualdade nas condições de disputa

Embora as mulheres estejam cada vez mais presentes nas disputas eleitorais, a ocupação de espaços nos Legislativos federal e estaduais continua distante da proporção feminina na população brasileira. Levantamento divulgado nesta terça-feira (16) revela que o crescimento no número de candidaturas não tem sido acompanhado pelo mesmo ritmo na conquista de mandatos.

Os dados fazem parte do Portal da Classe Política, plataforma lançada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem), vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR).

De acordo com o estudo, o total de mulheres candidatas à Câmara dos Deputados saltou de 358, em 1998, para 3.668 nas eleições de 2022. Apesar desse avanço expressivo, o número de parlamentares eleitas passou de 29 para 90 no mesmo período.

O cenário também se repete nos legislativos estaduais. Nas eleições de 2022, as mulheres conquistaram 17,5% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 17,8% das vagas nas assembleias legislativas, os maiores índices registrados pela pesquisa, mas ainda abaixo de 20% da representação total.

Barreiras persistem

Segundo os pesquisadores, a legislação eleitoral contribuiu para ampliar a participação feminina nas disputas. A adoção das cotas de gênero e das regras que garantem percentual mínimo de candidaturas para homens e mulheres aumentou a presença feminina nas chapas partidárias.

No entanto, especialistas apontam que o crescimento das candidaturas não significa igualdade nas condições de disputa. Entre os obstáculos identificados estão a distribuição desigual de recursos de campanha, a baixa presença de mulheres em cargos de direção partidária e a limitação do acesso à visibilidade política.

O cientista político Nilton Sainz, pesquisador da UFPR, destaca que o controle dos recursos dentro das legendas continua sendo um dos principais desafios para ampliar a representação feminina.

Além disso, o estudo chama atenção para a existência de candidaturas registradas apenas para cumprir a exigência legal de participação mínima de gênero, sem estrutura efetiva para a disputa eleitoral.

Reflexos na representação

Para os pesquisadores, a baixa presença de mulheres nos espaços de decisão tem impacto direto na formulação de políticas públicas e na discussão de temas que afetam a população feminina.

Apesar dos avanços observados nas últimas décadas, os números indicam que a participação das mulheres na política institucional brasileira ainda está longe de alcançar a paridade de gênero ou mesmo o percentual mínimo de 30% estabelecido para as candidaturas.

fonte: Agência Brasil

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