A medida pode gerar impactos econômicos, aumentando a fiscalização sobre empresas, bancos e setores que atuam em regiões sob influência do crime organizado
Passa a valer nesta sexta-feira (5) a decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras. A medida foi anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano no fim de maio e amplia a pressão internacional contra os grupos criminosos.
O governo brasileiro reagiu à decisão e afirmou que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação entre países, respeitando a soberania nacional. O Palácio do Planalto avalia que a medida pode abrir espaço para interferências externas em assuntos internos do Brasil.
Especialistas alertam que a nova classificação pode gerar impactos econômicos, aumentando a fiscalização sobre empresas, bancos e setores que atuam em regiões sob influência do crime organizado. Áreas como agronegócio, mineração, energia e telecomunicações estão entre as que podem enfrentar maior escrutínio internacional.
A designação também fortalece instrumentos de sanções financeiras e amplia mecanismos de cooperação internacional utilizados pelos Estados Unidos no combate a organizações consideradas ameaças à segurança global.
Em meio à repercussão da medida, o governo Trump também elevou o tom nas relações comerciais com o Brasil, incluindo discussões sobre novas tarifas de importação e críticas a práticas do mercado brasileiro. O governo federal contesta as justificativas e afirma que poderá recorrer a mecanismos de reciprocidade previstos na legislação nacional.
