Multa por poluição no Rio Urubu foi aplicada após fiscalização do Ipaam em Presidente Figueiredo.Reprodução

Fiscalização do Ipaam apontou obra irregular de aterro e terraplanagem próxima à Cachoeira Natal; intervenção foi embargada e responsável terá de apresentar plano de recuperação.

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) multou em R$ 3.015.500 uma empresa de transportes após identificar irregularidades ambientais em uma área próxima ao Rio Urubu, em Presidente Figueiredo.

A fiscalização foi realizada na manhã desta segunda-feira (14), após a mudança de coloração registrada no rio no domingo (13), nas proximidades da Cachoeira Natal.

Segundo o Ipaam, sedimentos provenientes de uma área onde eram realizadas obras de aterro e terraplanagem chegaram ao curso d’água.

A apuração inicial indica ainda que a intervenção pode estar relacionada à tentativa de formação de uma praia artificial no local.

Obra estava sem licença ambiental

Durante a vistoria, os fiscais identificaram uma intervenção considerada de grande proporção, com movimentação de solo e sem estruturas adequadas para conter o deslocamento de sedimentos.

De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, o órgão fará uma análise temporal da área para avaliar a dimensão das alterações realizadas.

A empresa foi autuada por três infrações ambientais: execução de obra sem licença, lançamento de resíduos em curso d’água e intervenção em Área de Preservação Permanente (APP).

Multas ultrapassam R$ 3 milhões

Do valor total aplicado, R$ 1.510.500 correspondem à realização de obra sem licença ambiental.

Outros R$ 1,5 milhão foram aplicados pelo lançamento de resíduos no Rio Urubu, enquanto R$ 5 mil correspondem à intervenção em Área de Preservação Permanente.

As autuações têm como base a legislação ambiental federal e estadual, incluindo a Lei de Crimes Ambientais e o Decreto Estadual nº 51.355/2025.

O responsável tem prazo de 20 dias a partir da notificação para apresentar defesa administrativa ou optar pelo pagamento das multas.

Ipaam embarga obra e exige recuperação da área

Além das multas, a obra foi embargada pelo órgão ambiental.

O responsável deverá apresentar um Plano de Recuperação de Área Degradada (Prad) com medidas destinadas a recuperar a área afetada e impedir que novos sedimentos sejam carregados para o rio.

Segundo o Ipaam, a adoção dessas medidas será necessária principalmente para evitar novos episódios quando o volume de chuvas aumentar.

Água voltou ao padrão observado pelo órgão

Durante a fiscalização desta segunda-feira, o Ipaam informou que a coloração da água do Rio Urubu já estava dentro dos padrões de normalidade.

Segundo o instituto, os sedimentos registrados no domingo tiveram origem na área onde ocorriam as intervenções irregulares.

No atual período de estiagem, o risco de novo carreamento imediato é considerado menor, mas o órgão alerta que a recuperação e a contenção do solo continuam necessárias.

Vídeo da Cachoeira Natal repercutiu nas redes sociais

A alteração da água ganhou repercussão depois que Jones Oliveira, gerente do espaço de ecoturismo onde fica a Cachoeira Natal, publicou imagens nas redes sociais mostrando o rio com aspecto barrento.

O local chegou a suspender temporariamente os banhos e passeios.

Segundo Oliveira, o vídeo foi publicado inicialmente para informar os visitantes sobre o fechamento momentâneo do espaço, mas acabou chamando atenção para a situação ambiental.

Responsável ainda pode responder em outras esferas

Além da responsabilização administrativa, o responsável pela intervenção poderá responder nas esferas civil e criminal caso sejam confirmados indícios de crime ambiental.

Os autos de fiscalização e demais informações produzidas pelo Ipaam poderão ser encaminhados aos órgãos de controle e ao Ministério Público do Amazonas.

A fiscalização contou também com equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Secretaria Municipal de Turismo, Empreendedorismo e Comércio e do Batalhão de Policiamento Ambiental da Polícia Militar.

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